MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília
O jornalista Edson dos Santos, o Sombra, afirmou na noite desta quinta-feira à Folha Online que entregou para a Polícia Federal um bilhete escrito pelo governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido), que seria uma das provas da tentativa de suborno. A Polícia Federal confirmou a entrega do bilhete, mas não faz referência ao autor. O bilhete deve passar por uma perícia.
Segundo Sombra, ele recebeu o bilhete entre os dias 8 e 9 de janeiro das mãos do deputado distrital Geraldo Naves (DEM), amigo do governador e suplente de Paulo Roriz, secretário de Habitação. O recado de Arruda teria sido utilizado durante a negociação do suborno. No bilhete, de acordo com o jornalista, Arruda teria escrito siglas e frases soltas, como: "sei que tentou evitar'.
"Eu deixei o bilhete com a Polícia Federal. Recebi entre os dia 8 e 9 janeiro, do deputado Geraldo Naves, presidente da CCJ [Comissão de Constituição e Justiça]", disse.
Naves negou que tenha participado de qualquer negociação de suborno. "Eu nunca tratei de nenhuma verba em nome de ninguém enquanto deputado. O que eu já fiz foi pedir verba de publicidade há muito tempo atrás quando eu e o Sombra éramos radialistas, antes de ser deputado", disse.
De acordo com o jornalista, o suborno poderia chegar a R$ 3 milhões e seriam pagos em parcelas.
Sombra é a principal testemunha de Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção que envolve o governador. Ele prestou depoimento nesta quinta-feira à Polícia Federal depois que os policiais prendera, em flagrante, o conselheiro do Metrô do Distrito Federal Antônio Bento da Silva.
Sombra afirma que Silva o teria procurado para que trocasse seu depoimento na Polícia por dinheiro.
Em imagens gravadas pela Polícia Federal momentos antes da prisão, Sombra assina papéis e repassa para Silva. Após a assinatura de documentos, Silva entrega uma sacola para o jornalista.
Segundo a PF, a sacola tinha R$ 200 mil, que seria a primeira parcela do suborno. Os papéis seriam uma declaração do jornalista afirmando que os vídeos feitos por Durval e que fazem parte do inquérito do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre o esquema de pagamento de propina teriam sido manipulados.
As gravações do delator mostram Arruda, o vice-governador, Paulo Octávio, secretários, assessores, deputados distritais recebendo suposta propina.
Sombra afirmou à PF que Silva estava interessado em oferecer uma quantia de dinheiro em troca de direcionamentos para seu depoimento. A Polícia Federal passou a monitorar Silva, que também é gerente comercial do jornal que Sombra tem na cidade.
O jornalista teria telefonado ontem para a Polícia Federal informando do encontro na manhã de hoje em um restaurante, no setor Sudoeste de Brasília, onde foi realizada a prisão em flagrante.
Após a prisão em flagrante, Silva e Sombra prestaram depoimento na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, aos delegados Eumiz Antonio Rocha Junior e Alfredo Junqueira. Sombra foi liberado e deixou o local sem falar com a imprensa.
Silva está preso em uma cela de prisão em flagrante da Superintendência da Polícia Federal em Brasília onde deve passar a noite. A prisão em flagrante é de cinco dias renováveis por mais cinco dias. Como não há mais carceragem na Superintendência, ele pode ser transferido nos próximos dias para o presídio da Papuda. Ele passou por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal).
Ao todo, o inquérito do STJ (Superior Tribunal de Justiça) envolve 36 pessoas, entre autoridades do governo local, deputados distritais e empresários. Segundo o inquérito, há indícios da prática dos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude de licitação e crime eleitoral.
Armação
Em nota, o GDF (Governo do Distrito Federal) afirma que foi uma "armação de Durval Barbosa" a tentativa de suborno de Silva ao jornalista.
"Fica evidenciada mais uma tentativa de armação do grupo de Durval Barbosa para comprometer o GDF e turvar as investigações. O GDF repudia as insinuações divulgadas e nega qualquer envolvimento com este lamentável episódio", disse.
Segundo o documento, Silva tentava intermediar encontros de Sombra, principal testemunha de Durval, com Arruda. A nota afirma que Silva tentava negociar patrocínio do GDF para o jornal da mulher de Sombra. Segundo o governo, os pedidos de publicidade foram todos negados.
"O sr. Antônio Bento trabalha para o jornalista Edson Sombra no jornal 'O Distrital', de propriedade deste, onde ocupa o cargo de diretor comercial. Nos últimos 15 dias o sr. Antônio Bento procurou insistentemente o GDF, primeiro com o pedido de um encontro entre o jornalista Edson Sombra e o governador Arruda; e, a seguir, com pedido de patrocínio para o referido jornal. Todos os pedidos foram negados".
Aqui questionamos, buscamos respostas, sugerimos e criticamos o que entendemos não atender os anseios e expectativas do interesse público. Buscando a coerência, a imparcialidade e a verdade. Respeitamos opiniões divergentes sem jamais acatar imposições
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Homem tenta subornar testemunha do mensalão do DEM e é preso no DF.
Flagrante foi feito pela PF na hora em que dinheiro era entregue.
Suspeito foi preso por agentes com R$ 200 mil em restaurante de Brasília.
Robson Bonin e Rafael Targino
Do G1, em Brasília
Um homem foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (4), em um restaurante em Brasília, com R$ 200 mil, em dinheiro, que supostamente seriam utilizados para subornar uma das testemunhas do mensalão do DEM de Brasília, de acordo com a PF.
Segundo informações preliminares da PF, o destinatário do dinheiro seria o jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Edson Sombra, uma das principais peças do quebra-cabeça da Operação Caixa de Pandora, que desmantelou o esquema de corrupção no Distrito Federal em novembro de 2009.
Foi o próprio Sombra que teria comunicado aos agentes a oferta de suborno e o assédio do suspeito, identificado como Antonio Bento da Silva, segundo a PF. O homem supostamente oferecia o dinheiro a Sombra para que ele prestasse informações falsas no depoimento que ainda terá de prestar à PF.
Sombra concordou em receber o dinheiro e a PF fez o flagrante. Por volta das 9h desta quinta, Silva foi preso com o dinheiro em um restaurante do Sudoeste, bairro nobre de Brasília.
O homem foi conduzido à Superintendência da Polícia Federal onde é mantido em uma sala reservada, enquanto aguarda o registro do flagrante. Segundo a PF, os R$ 200 mil –valor declarado por Silva, mas ainda não contado pela PF–estavam embrulhados em um papel pardo, dentro de uma sacola de loja.
Sombra é uma peça importante do caso porque teria sido ele o responsável por convencer o ex-secretário de Relações Institucionais e pivô do escândalo, Durval Barbosa, a delatar o esquema à polícia.
O mensalão do DEM de Brasília envolve o suposto pagamento de propina ao governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), ao vice-governador, Paulo Octávio (DEM), deputados distritais, empresários e integrantes do governo.
O inquérito que investiga o caso tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e já resultou na quebra de sigilos bancário e fiscal do governador Arruda e de outros sete envolvidos no caso.
Recentemente, o juiz Vinicius Santos Silva, da 7ª Vara de Fazenda Pública do DF, afastou oito deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal das atividades relacionadas ao processo de impeachment do governador Arruda. Todos os oito parlamentares são suspeitos de envolvimento com o mensalão do DEM de Brasília.
Tropa não obedece a militar homossexual, diz general no Senado.
O general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado para ocupar uma vaga de ministro do Superior Tribunal Militar (STM), disse nesta quarta-feira (3) que soldados não obedecem a comandantes homossexuais. Segundo Cerqueira Filho, as atividade desempenhadas pelas Forças Armadas não são adequadas a homossexuais. “Talvez tenha outro ramo de atividade que ele [o militar homossexual] possa desempenhar”, afirmou.
Cerqueira Filho disse que a Guerra do Vietnã mostrou que militares homossexuais não teriam condições de comandar tropas. “Tem sido provado mais de uma vez, o indivíduo não consegue comandar. O comando, principalmente em combate, tem uma série de atributos, e um deles é esse aí. O soldado, a tropa, fatalmente não vai obedecer. Está sendo provado, na Guerra do Vietnã, tem vários casos exemplificados, que a tropa não obedece normalmente indivíduos desse tipo”, declarou.
As declarações do general foram feitas durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado nesta terça. Cerqueira Filho e o almirante Álvaro Luiz Pinto, também indicado a uma vaga no STM, participavam da audiência quando foram questionados pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre o tema. “Vossas excelências são favoráveis ao ingresso de homossexuais em qualquer das forças e acham que essa polêmica tem razão de ser?”, indagou Demóstenes. Suplicy quis saber se os dois militares defendiam a exclusão de homossexuais das Forças Armadas.
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O exército americano está discutindo ainda, mas os casos que ocorreram mesmo no exército americano foram praticamente rechaçados. Não é que o indivíduo seja criminoso, mas é o tipo de atividade. Se ele é assim, talvez tenha outro ramo de atividade que ele possa desempenhar
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Em sua resposta, o general Cerqueira Filho disse que iria responder “de uma maneira sincera”. “Não é que eu seja contra o homossexual, cada um tem que viver sua vida. Entretanto, a vida militar se reveste de determinadas características que, em meu entender, tipos de atividades que, inclusive em combate, pode não se ajustar ao comportamento desse tipo de indivíduo”, afirmou.
DEM, PT e PSDB se unem para que TSE derrube regra que proíbe doação oculta.
Luana Lourenço
Da Agência Brasil
Os partidos DEM, PT e PSDB se uniram contra a tentativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de pôr fim às chamadas doações ocultas para financiamento de campanhas. A resolução do TSE, que está em consulta pública, pretende impedir a doação de recursos eleitorais que não permitam a identificação dos doadores e dos candidatos beneficiados.
Na ação, encaminhada hoje (4) ao Tribunal, os partidos alegam que a exigência de identificação dos doadores e de que candidatos receberam o dinheiro “é missão ingrata e impossível”.
“A captação de recursos de diversos doadores e os eventuais repasses a diversos donatários não se dá a um só tempo e em quantias coincidentes, de modo a possibilitar dizer qual candidato recebeu especificamente de qual doador”, afirmam na ação.
No documento, DEM, PT e PSDB também pedem mudanças na proposta do TSE de obrigar os partidos a criar uma conta bancária específica para movimentação de recursos de campanhas eleitorais. Pelas regras atuais, os candidatos e os comitês financeiros têm que ter contas para essa finalidade, mas não os partidos.
Para os autores da ação, a mudança contraria a Lei de Eleições ao tornar os partidos políticos “agentes de campanha eleitoral”, obrigados a prestar contas à Justiça Eleitoral.
Na contramão dos grandes partidos, o PSOL encaminhou ao presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, uma manifestação de apoio às propostas. O partido argumenta que a iniciativa poderá “tornar mais transparentes as doações feitas aos candidatos no período eleitoral”.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
A dor da ausência.
Aqui começava nosso convível e nossa amizade - Cadasto 1991/92.
A vida nos prega algumas peças que é difícil de aceitar e acreditar. Hoje fui surpreendido com uma triste e inacreditável notícia, nosso colega e amigo Paulo Roberto Pereira, nosso querido Paulão, pois é, apesar de sua vida extremamente regrada e sua juventude, nos deixou de forma precoce. Paulão, para mim, foi uma das pessoas mais excepcionais que conheci, sem pieguice e sem repedir de forma pronta a frase que sempre usamos para falar dos amigos que se foram. Paulão era para mim uma criança grande, sem malícia, sem maldade e sem muitos defeitos comuns a todos nós. Por incrível que pareça, hoje na feira livre onde trabalhei, mesmo sabendo que ninguém o conhecia, via um semblante triste no rosto das pessoas, no fácil bom clima, local onde nos conhecemos e convivemos por longa data parecia que tudo estava diferente, uma tristeza generalizada na minha percepção, estava no ar. Não tenho dúvidas de que todos que conheceram o Paulo hoje estão muito tristes com sua partida precoce. Por tudo que ele plantou como colega, amigo, pai, evangélico, filho e irmão, não tenho dúvidas, receberá sua recompensa divina.
Meu Adeus ao Paulão, que Deus o receba em seu convívio e lhes conceda o repouso eterno reservado aos bons.
Francisco Brito
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