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sábado, 2 de outubro de 2010

Renan Calheiros é líder para o Senado em AL; Heloísa Helena despenca.

Heloisa Helena e Renan Calheiros.

Pesquisa Ibope para o Senado em Alagoas mostra o senador Renan Calheiros (PMDB) na liderança com 56% das intenções de voto e uma queda de 12 pontos percentuais de Heloísa Helena (PSOL), em relação à pesquisa divulgada em 14 de setembro. A candidata está agora em terceiro lugar na disputa, com 29%.

O candidato Benedito de Lira (PP) subiu 14 pontos percentuais e está agora em segundo lugar, com 49% das citações. Antes tinha 35%.

Lira fez uma campanha dura contra a candidata do PSOL. Nas inserções na TV, usou um personagem animado para criticá-la. Ele tem o apoio do Presidente Lula, que gravou uma mensagem para Benedito usar na propaganda eleitoral.

Indecisos somam 18% e brancos e nulos, 13%.
O Ibope ouviu 812 eleitores ente os dias 29 e 30 setembro. A margem erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi encomendado pela TV Gazeta de Alagoas, pertencente à família de Fernando Collor (PTB), candidato ao governo do Estado. A pesquisa está registrada no TRE-AL com o número 15703/2010.

Collor tenta emplacar seu advogado no STJ.

Também ligado a Renan, Fábio Ferrario encabeça a lista de seis candidatos que a OAB entregou ao tribunal


Corte é responsável por julgar processos contra governadores; neste ano, já decretou a prisão de dois deles


BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

Candidato a governador de Alagoas, o senador Fernando Collor (PTB-AL) tenta emplacar seu advogado Fábio Ferrario, 46, como ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Ele faz lobby pela nomeação do aliado para a vaga do ex-ministro Humberto Gomes de Barros, também alagoano, que se aposentou há mais de dois anos.

O STJ comanda investigações e julga processos contra governadores. Este ano, decretou a prisão de José Roberto Arruda (Distrito Federal) e Pedro Paulo Dias (Amapá), acusados de chefiar esquemas de corrupção.

À Folha Ferrario disse que se julgaria suspeito de votar em processos contra o ex-presidente. O advogado lidera a disputa pela vaga. Ele encabeça lista de seis candidatos que a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) entregou ao STJ há duas semanas. Foi indicado pela seção alagoana da entidade, acusada por adversários de Collor de protegê-lo.

Em agosto, Ferrario conseguiu liberar a candidatura do senador ao governo, que havia sido impugnada pela Procuradoria Regional Eleitoral de Alagoas por falta de documentação.

Ele também defendeu Collor em causas particulares, como a separação da ex-primeira-dama Rosane. O advogado é ligado ainda ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e ao usineiro João Lyra (PTB), candidato a deputado na chapa collorida.

Uma fonte próxima a Renan disse que ele ainda não atuou em favor do amigo, mas o apoiará caso a indicação chegue ao Planalto.

Antes de se candidatar ao STJ, o advogado protagonizou embates com a imprensa e a Polícia Federal. Foi preso por desacato em 2006, após orientar um cliente a desobedecer ordem policial. A OAB saiu em defesa dele.

Dois anos depois, outro delegado federal o ameaçou de prisão por desacato quando ele defendia um prefeito acusado de fraude eleitoral.

Em 2002, atuando como juiz eleitoral, Ferrario decretou a prisão de um jornalista e mandou fechar o jornal "A Notícia", que publicara denúncias contra o Tribunal Regional Eleitoral. O repórter ficou 15 dias na cadeia.

Três anos depois, o juiz Frederico Wilson da Silva Dantas, da 7ª Vara Federal de Alagoas, classificou a prisão de "ilegal" e "erro grosseiro" e condenou a União a indenizá-lo em R$ 10.000 por danos morais. A decisão foi cassada em 2009 pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região.

O coordenador da campanha e suplente no Senado de Collor, Euclydes Mello, elogiou o candidato ao STJ: "É um advogado muito correto e respeitado".

Responsável pela indicação, a OAB alagoana afastou em agosto o presidente de sua comissão de Combate à Corrupção Eleitoral, Álvaro Barbosa, por ir a um ato "Fora Collor" em Maceió.

O presidente da entidade, Omar Coelho, também defendeu o advogado e disse que o senador não usará a proximidade com o presidente Lula para forçar sua nomeação: "O presidente Collor não costuma fazer este tipo de pedido". Procurado, Collor não deu entrevista.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

STF pede investigação contra o genro de Ayres Britto.

O presidente do STF, ministro Cezar Peluso, encaminhou nesta sexta (1º) um ofício ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

No texto, Peluso pede a abertura de investigação contra o advogado Adriano Borges Silva, genro do ministro Carlos Ayres Britto.

Em nota levada à sua página na internet, a assessoria do Supremo informa que a ação decorre de pedido do próprio Ayres Britto (foto).

Sócio e marido de Adriele Pinheiro Reis Ayres de Britto, filha do ministro, Adriano Borges foi às manchetes em posição constrangedora.

O genro do ministro aparece em vídeo oferecendo-se para ajudar Joaquim Roriz no julgamento de recurso que corria no STF.

Em troca de pró-labore de R$ 4,5 milhões, comprometia-se a providenciar para que o sogro se declarasse impedido de atuar no processo em que Roriz tentava se livrar da Ficha Limpa.

Relator do recurso de Roriz, Ayres Britto votou contra ele no STF. Ouvido, tomou distância do genro: “Eu Não tenho nada com isso”.

O passo seguinte, será a abertura de inquérito no Polícia Federal. Caberá ao procurador-geral Roberto Gurgel requerer a providência.

Vejam o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=7VOVYaL7jJ4

Cabral contrata empresa de fachada para confecção de adesivos e cartazes.

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), contratou empresa de fachada para a confecção de ao menos 200 mil adesivos e cartazes para a sua campanha à reeleição.

A sede da empresa Soroimpress Comércio de Produtos Gráficos, cujo CNPJ consta em material de campanha de Cabral, indicada na Receita Federal e na Junta Comercial de São Paulo é um prédio em construção vazio em Sorocaba (SP).

Fundada em abril deste ano, a empresa tem como sócias duas senhoras de 84 anos. Uma não foi localizada no endereço indicado à Junta Comercial. A outra pouco sai de casa, segundo funcionários do prédio onde ela vive.

A campanha do governador afirmou que "divulga no mercado" o interesse para compra de material e escolhe a empresa que ofereça melhor preço.

A assessoria disse que não é feita "checagem dos endereços de fornecedores". Afirmou ainda que a empresa não será mais contratada. A Soroimpress havia recebido R$ 33.450, de acordo com a assessoria.

O caso foi encaminhado pela coligação de Fernando Gabeira (PV), adversário de Cabral na eleição ao governo do Rio, à Procuradoria Regional Eleitoral, que investiga o caso. Além de adesivos, foram entregues cartazes com o CNPJ da empresa.

PRÉDIO VAZIO

A Soroimpress não funciona no local indicado à Receita Federal. De acordo com um operário que trabalhava no local, o prédio, estreito, de três andares e ainda sem acabamento, vai abrigar um bloco de apartamentos. Outros disseram que nunca ouviram falar de nenhuma gráfica no bairro Jardim Santa Rosa.

A reportagem tentou entrar em contato com as sócias da empresa Ivette Martins Ayres e Antonieta Bertoni Oliveira Cabral.

No endereço residencial de Ayres funciona uma farmácia. Funcionários do local afirmam que o estabelecimento existe há 30 anos e que nunca ouviram falar de Ayres. Três salas comerciais estão instaladas sobre a farmácia, mas moradores da região afirmam que elas são alugadas para negócios sem relação com impressão.

Já no endereço de Antonieta Cabral, um prédio de classe média afastado do centro, funcionários do condomínio afirmaram que ela é aposentada e raramente sai do apartamento. Apenas seu filho, Flávio Pinhal, poderia falar com a reportagem.

Flávio é gerente da Comercial Etiquetas --cujo CNPJ também consta em adesivos de Cabral--, de acordo com funcionários desta empresa.

Apesar de os dados da Comercial constarem no material de campanha do governador, o gerente administrativo da empresa, José Meskaukas, afirmou que ela não foi contratada por Cabral. A atividade da empresa, disse ele, é a impressão de etiquetas para embalagens.

OUTRO LADO

A assessoria de imprensa da campanha de Cabral afirmou que "não faz checagem dos endereços dos seus fornecedores". Disse que contratou a Soroimpress, que não funciona no local indicado à Receita Federal, por ter oferecido o melhor preço.

"A campanha, necessitando de algum produto, divulga no mercado o seu interesse e as empresas se habilitam, oferecendo os seus preços e condições. Essa empresa, sabendo do interesse da campanha em adquirir adesivos, fez a sua oferta e ofereceu o melhor preço", disse.

A campanha do governador alegou que o site da Receita Federal não indica qualquer irregularidade na sua situação fiscal. Segundo a nota, qualquer fornecedor passa por essa checagem.

"Se efetivamente a empresa fornecedora tem algum problema fiscal, a campanha repudia tal situação, que deve ser investigada pelos órgãos competentes, e evidentemente não contrata mais esse fornecedor", diz a nota da campanha. Segundo a assessoria, a Soroimpress já havia recebido R$ 33.450.

A assessoria de Cabral afirma ter contratado a empresa Comercial Etiquetas para produzir material de campanha. A empresa, no entanto, nega ter fornecido adesivos para Cabral, embora seu CNPJ conste no material de campanha do governador.

Posição em relação ao aborto e casos de corrupção no Brasil ameaçam vitória esmagadora de Dilma.

Dilma muda posição sobre o aborto para tentar vencer ainda no primeiro turno; candidata perdeu 6 milhões de votos na última semana.

A 36 horas das eleições presidenciais brasileiras, a questão do aborto pôs em apuros Dilma Rousseff, a candidata do presidente Lula da Silva. Sua mudança de opinião nesse assunto, do qual era uma firme defensora, e os casos de corrupção que teve de enfrentar nas últimas semanas ameaçam o que se presumia uma vitória arrasadora no primeiro turno e poderão obrigá-la a disputar um segundo turno.

Há apenas um ano, a candidata do Partido dos Trabalhadores era favorável à descriminalização do aborto. "É uma questão de saúde pública", afirmou Rousseff à revista "Marie Claire". "Existe uma quantidade enorme de mulheres no Brasil que morrem por abortar em circunstâncias precárias."

Seus dois maiores adversários nas eleições, o social-democrata José Serra e a candidata do Partido Verde, Marina Silva, se declararam desde o início contrários à legalização do aborto, devido à forte pressão religiosa tanto da Igreja Católica quanto das Igrejas evangélicas, que movimentam milhões de votos. Silva, que é evangélica, declarou-se pessoalmente contra a liberação do aborto por motivos de fé, mas abriu a porta para um referendo para conhecer a opinião da sociedade. Ambos, Serra e Silva, acusaram na quinta-feira sua rival de ter mudado de posição por motivos "eleitorais" e de ter duas faces.

Os últimos escândalos de corrupção fizeram Dilma perder 6 milhões de votos em menos de uma semana. Mesmo assim, a candidata governista freou sua queda nas pesquisas eleitorais e manteve uma ampla vantagem sobre seus adversários, mas não se descarta que tenha de disputar um segundo turno. Se as eleições fossem hoje, Dilma teria 47% dos votos, enquanto José Serra obteria 28% e Marina Silva, 14%, segundo uma pesquisa da Datafolha, divulgada na quinta-feira pelo jornal "Folha de S.Paulo".

Dilma precisa de mais de 50% dos votos para evitar o segundo turno. Preocupado com essa possibilidade, o que levaria Dilma a se expor a mais um mês de campanha, Lula da Silva decidiu ajudá-la a recuperar votos com uma jogada típica de campanha eleitoral.

Lula pediu que Dilma se reunisse com os líderes de todas as confissões religiosas e declarasse abertamente que "é contra o aborto". Foi o que a candidata fez na quarta-feira; insinuou que nunca foi a favor da legalização do aborto, mas mostrou-se partidária de que o Estado não abandone as mulheres que abortam em situações de risco para suas vidas.

Os bispos católicos, assim como a maioria dos evangélicos, pediram a seus fiéis que não votem em Dilma devido a suas posições a favor da interrupção da gravidez. Enquanto isso, ela negou categoricamente a frase que percorre os fóruns da Internet: "Nem Jesus Cristo me fará perder estas eleições".

"Jamais faria uma afirmação semelhante", afirma a candidata. Um de seus colaboradores explicou a "El País" que ela costuma dizer que "Será Deus quem lhe dará a vitória". Um claro apelo ao profundo sentimento religioso dos brasileiros, apesar de ela nunca se ter declarado uma mulher religiosa.