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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Emparedado

Painel

RENATA LO PRETE - painel@uol.com.br

Reunida ontem para discutir o saldo do rateio de posições no governo de Dilma Rousseff, a cúpula do PMDB encarregou o presidente do partido e vice da República, Michel Temer, de transmitir à petista a insatisfação da sigla, surpreendida por sucessivos anúncios de perda de espaço na máquina federal.
A expectativa dos peemedebistas era a de que Temer se manifestasse logo na primeira reunião de coordenação do governo, com início marcado para o final da tarde de ontem. Quando alguém lhe perguntou se o vice de fato cumpriria o papel de porta-voz do PMDB diante de Dilma, um cacique não titubeou: "Ah, ele vai, sob pena de perder o controle do partido".


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Em série Depois de perder postos na Saúde e o comando dos Correios para o PT, o PMDB recebeu a informação de que o próximo a rodar seria Alexej Predtechensky, diretor-presidente do Postalis, o fundo de pensão dos Correios. Sua ligação é com a família Sarney.

Os nossos Os peemedebistas, que com uma ou outra exceção ignoraram as posses dos ministros do PT, compareceram em peso às dos correligionários Edison Lobão (Minas e Energia), Garibaldi Alves (Previdência) e Pedro Novais (Turismo).

Retrato falado Secretário-executivo da Previdência, Carlos Eduardo Gabas arrancou risos da plateia ao batizar de "dupla gagá" sua parceria com Garibaldi.

Não para Do presidente do PT, José Eduardo Dutra, sobre o longo discurso de posse de Alexandre Padilha na Saúde: "Ministro twiteiro @padilhando fez discurso de 140000000000000000000 00000000000000000000 0000000 caracteres".

Em todas Ninguém marcou presença em tantas posses como Paulo Maluf (PP-SP). Antes de se jogar na maratona brasiliense, o deputado já havia prestigiado a cerimônia que marcou o início da nova temporada de Geraldo Alckmin (PSDB) no Palácio dos Bandeirantes.

Inspiração Sobre a mesa do gabinete de Dilma estava ontem o livro "Bachelet en Tierra de Hombres", da jornalista Patricia Politzer.

Sujou Com dois projetos exigindo ficha limpa para secretários, a Assembleia paulista já analisa novo texto, do tucano Orlando Morando, proibindo a contratação até de assessores de deputados com condenação por colegiado.

Eu não O tucano Carlos Bezerra, suplente de deputado federal, vai declinar se for chamado a ocupar a cadeira como "tampão". Líder do PSDB na Câmara paulistana, ele foi eleito deputado estadual e assume o cargo definitivamente em março. Com a recusa, abriria caminho no Congresso para Raimundo Sales (DEM).

A regra... A polêmica que envolve a convocação de suplentes preocupa o PSDB também quanto a seu poder de fogo na nova legislatura. Se a Câmara desconsiderar o entendimento do STF que privilegia o partido e não a coligação, a eventual desidratação da bancada em fevereiro deixaria a sigla em maus lençóis para manobras de obstrução.

...é clara? É que o regimento da Casa confere prerrogativas a legendas com mais de 52 deputados, entre elas a verificação de quórum em votações. Como foram eleitos 53 tucanos, se dois deles derem seus lugares a políticos de outras siglas com as quais se aliaram na eleição, o uso do recurso ficaria impossibilitado.

Precursor Antonio Patriota (Relações Exteriores) desembarca na Argentina no próximo dia 10. Vai acertar os detalhes da primeira viagem internacional de Dilma, provavelmente entre os dias 25 e 30.


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com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"O Brasil tem muitos Pelés na política. Mas o importante mesmo é que eles joguem bem e que o juiz seja honesto."
DE DUARTE NOGUEIRA, futuro líder do PSDB na Câmara, sobre entrevista em que o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, recomenda à oposição não se animar, pois o PT agora tem "um Pelé na reserva", a saber, Lula.

contraponto

A modéstia me impede...

No discurso com o qual se despediu ontem do cargo de ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel teceu rasgados elogios à equipe que o acompanhou desde 2007. Dirigindo-se a seu antecessor, Miguel Rossetto, afirmou em tom convicto:

-Eu acho, Miguel, que consegui no ministério uma coisa que você não conseguiu....

Rossetto estranhou, e o outro então completou:
-Tive secretário-executivo melhor que o ministro!

Para entender: Cassel ocupou o posto número dois na época em que Rossetto respondia pela pasta.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Lula deixa para Dilma a faixa e o fantasma da 'griffe'

Flávio Florido/UOL


No benfazejo vaivém que marca o poder dos períodos não ditatoriais, o Brasil conviveu com três tipos de presidentes.

Houve mandatários débeis. Houve os que fizeram governos, por assim dizer, normais. E houve os que cultuaram a personalidade.

Lula, o presidente que deixou o poder neste sábado (1º), pertence à categoria dos que levam ao verbete da enciclopédia a griffe da personalidade.

Quem faz a Presidência são os presidentes que a ocupam. Um dos termômetros para avaliar se o que fizeram foi visto como bom ou ruim é a forma como saem dela.

Lula entregou a faixa à sucessora Dilma Rousseff, desceu com ela a rampa do Planalto, cruzou a rua e, aos prantos, despediu-se da multidão.

Produziu-se uma cena que Brasília ainda não havia testemunhado. Dilma teve a delicadeza de permitir a Lula que degustasse o seu momomento.

Ladeada pelo vice Michel Temer, ela a escalou a rampa. Foi dar posse aos seus ministros. E Lula saboreou sozinho a apoteose do descoroamento.

O signatário do blog misturou-se à aglomeração da Praça dos Três Podres. Testemunhou imagens de adoração hipnótica a Lula.

Ele diz que vai “desencarnar”. Improvável. Ela afirma que dará continuidade à obra dele. Na administração, pode ser. No estilo, será impossível. Falta-lhe o carisma.

A Brasília que deu as boas-vindas a Dilma foi uma Capital encharcada. Primeiro, pelas águas da chuva. Segundo, pelo simbolismo.

A caminho do Congresso, Dilma foi privada do desfile em carro aberto. O aguaceiro a impediu de abrir a capota do Rolls-Royce.

Já no interior do prédio do Legislativo, foi empossada por José Sarney. Logo ele, um político cuja passagem pelo Planalto, de tão débil, pareceu mera transição.

Igual a Sarney, só Eurico Gaspar Dutra, cuja presidência transitória entremeou o Estado Novo e a volta do salvacionismo de Getúlio Vargas.

Na seleta platéia do Congresso, ouvidos grudados no discurso de posse de Dilma, estava Fernando Collor. Mais simbolismo.

Depois dos anos Jucelino Kubstichek, outro cultor da presidência de personalidade, o Brasil experimentara Jânio Quadros, versão burlesca da personalização do poder.

Collor frequenta os livros como evidência de que o Brasil não aprendera com Jânio a esquivar-se das farsas providenciais. Foi-se da renúncia ao impeachment.

Passada a tempestade cleptocrata de Collor, sobreveio a presidência normal de Itamar Franco. Uma normalidade que, envernizada pelo DNA do Real, assumiu ares de bonança inaudita.

Lula deixou para Dilma, além da faixa, o fantasma da personalidade insubstituível. O próprio Lula já havia convivido com experiência análoga.

Recebera o poder, também ele, das mãos de FHC, o presidente de personalidade poliglota e pluridiplomada.

Deu-se com Lula, porém, o inverso do que sucedera com o antecessor. O FHC do primeiro mandato carregou o troféu da vitória sobre a inflação.

O FHC do segundo ciclo, embora sonhasse em ser JK, assumiu as feições de outro presidente: Campos Sales, o homem do corte de despesas, que saiu sob vaias.

Lula fez um primeiro reinado economicamente austero, com superávits fiscais graúdos. No segundo, caprichou nos gastos sociais.

Quanto a Dilma, cultiva o sonho de, em quatro anos, combinar o aperto de Campos Sales com a derrama social de Lula. Impossível? Não. Mas difícil.

Em essência, a Presidência é como vinho. Ela tomará a forma do jarro que o eleitor eleger para abrigá-la.

Eleita graças à festa de Baco que Lula proporcionou ao naco da sociedade que não estava habituada à degustação de vinho, Dilma terá de dizer de que uva é feita.

Escrito por Josias de Souza

Dilma quer resposta sobre desaparecidos.

Intenção é articular acordo para, em dois anos, construir uma narrativa oficial a respeito das mortes na ditadura

Estimativas indicam que 400 pessoas foram mortas e pelo menos 130 desapareceram durante regime militar

KENNEDY ALENCAR
DE BRASÍLIA

A presidente Dilma Rousseff quer dar uma resposta oficial do Estado brasileiro aos familiares dos mortos e desaparecidos na ditadura militar (1964-1985), o que pode incluir um mea culpa da Presidência e dos militares.

A Folha apurou que Dilma articulará um acordo com as Forças Armadas, o Congresso e entidades como as de direitos humanos e a OAB.

A intenção é, num prazo de dois anos, construir uma narrativa oficial e definitiva sobre as circunstâncias das mortes e desaparecimentos.

Não há números precisos, mas se estima que cerca de 400 pessoas foram mortas e que desapareceram entre 130 e 160 opositores do regime.

Dilma sabe que o mea culpa é um passo mais difícil de ser dado, devido à resistência das Forças Armadas, maior entre militares na reserva. A presidente já tratou desse tema com auxiliares mais próximos, como o ministro da Defesa, Nelson Jobim, visto por Dilma como um aliado na tentativa de fechar o acordo.

O primeiro passo é costurar a aprovação no Congresso da Comissão da Verdade, uma iniciativa do governo Lula que não se concretizou. A comissão ofereceria a versão oficial sobre os mortos e desaparecidos.

Nas palavras de um auxiliar, Dilma não acha possível fazer um mea culpa "a fórceps", mas convencer militares da ativa de que uma resposta oficial encerraria eventuais disputas novas na Justiça sobre a Lei da Anistia.

Por ora, o STF (Supremo Tribunal Federal) considera que a anistia vale para torturadores, mas organismos internacionais e entidades de direitos humanos do Brasil questionam essa decisão. Tecnicamente, há possibilidade de o Supremo voltar a apreciar o assunto.

A presidente avalia que Paulo Vannuchi, ex-ministro dos Direitos Humanos, obteve avanços ao tensionar a relação com os militares quando publicou dois livros que buscam esclarecer as circunstâncias das mortes.

Em 2007, documento oficial do governo acusou integrantes dos órgãos de repressão de esquartejar, estuprar, torturar e ocultar cadáveres de opositores. Embrião da Comissão da Verdade, o documento é o livro "Direito à Memória e à Verdade".

Há 15 dias, outro livro foi lançado pela Secretaria de Direitos Humanos: "Habeas Corpus, Que Se Apresente o Corpo - A Busca dos Desaparecidos Políticos no Brasil".

O livro afirma que, sem resposta oficial, não pode ser considerada "plenamente concluída a longa transição para uma democracia irreversível". Dilma quer concluir essa transição.

José Saramago - falsa democracia.

Temos que ouvir, refletir e reagir diante de tanta hipocrisia falando de democracia.

http://www.youtube.com/watch?v=m1nePkQAM4w&feature=related

Sobre a imparcialidade do jornalista.

Este é um dos mitos cultivados há mais de século: jornalista é imparcial. Ou tem obrigação de ser.

Ninguém é imparcial. Porque você é obrigado a fazer escolhas a todo instante. E ao fazer toma partido.

Quando destaco mais uma notícia do que outra faço uma escolha. Tomo partido.

Quando opino a respeito de qualquer coisa tomo partido.

Cobre-se do jornalista honestidade.

Não posso inventar nada. Não posso mentir. Não posso manipular fatos.

Mas posso errar – como qualquer um pode. E quando erro devo admitir o erro e me desculpar por ele.

Cobre-se do jornalista independência.

Não posso omitir informações ou subvertê-las para servir aos meus interesses ou a interesses alheios.

Se me limito a dar uma notícia devo ser objetivo. Cabe aos leitores tirarem suas próprias conclusões.

Se comento uma notícia ou analiso um fato, ofereço minhas próprias conclusões. Cabe aos leitores refletir a respeito, concordar, divergir ou se manter indiferente.

Jornalista é um incômodo. E é assim que deve ser. Se não for não é jornalista.

Do blogueiro — e jornalista — Ricardo Noblat.