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domingo, 3 de abril de 2011

Fiscais ligam ‘Pernambucanas’ a trabalho degradante.


Quem passa defronte das vitrines das Lojas Pernambucanas não supõe. Mas, além de peças de roupa expostas com apuro, há ali uma ilegalidade.

Dona da terceira maior rede varejista de vestuário do país, a empresa foi multada pelo Ministério do Trabalho, na semana passada, em R$ 2,2 milhões.

Por quê? Verificou-se que as Pernambucanas –faturamento anual de cerca de R$ 4 bilhões— carrega em sua cadeia produtiva um acinte.

Parte das peças que comercializa era costurada num imóvel residencial assentado em São Paulo. Debruçados sobre as máquinas, 16 trabalhadores bolivianos.

Sob regime de trabalho degradante, análogo à escravidão, produziam casacos Argonaut, uma marca criada pelas Pernambucanas para o público jovem.

Deve-se a revelação à repórter Ana Aranha, que acompanhou batida de auditores do Ministério do Trabalho à residência que alojava a senzala da moda.

Ela acomodou em notícia veiculada neste final um resumo do que foi constatato. Testemunhou coisas que não ornam com os mostruários de shopping.

Os neoesravos bolivianos recebiam R$ 20 centavos por peça costurada. Havia entre eles dois menores de idade.

Submetiam-se a uma jornada de trabalho que ia das 8h às 22h. Três filhos de operárias transitavam por entre as máquinas.

Os fiscais encontraram etiquetas das Pernambucanas grudadas nos casacos. Ao redor, uma atmosfera mortificadora.

A “fábrica” funcionava em dois cômodos da casa, cada um com 6m². A ausência de janelas tornava o ar quente.

Fios elétricos pendiam do teto. No chão, sacos de roupa misturavam-se a sacos de batatas.

Ao final da inspeção, os fiscais colecionaram 41 infrações às leis que asseguram no Brasil ambiente de trabalho salubre e seguro.

Verificaram, de resto, que os bolivianos eram mantidos sob o regime de servidão por dívida.

Vieram da cidade de El Paso, na região metropolitana de La Paz. Chegaram a São Paulo devendo o valor das passagens. Coisa de R$ 300 por cabeça.

No final do mês, além de frações da viagem, descontavam-se dos salários despesas diversas –comida, fraldas, cartões telefônicos...

Num caso, o vencimento de R$ 800 foi reduzido a R$ 176. Para fugir do fim do mês no vermelho, os trabalhadores viam-se compelidos a esticar a jornada.

Terminado o expediente, tinham à disposição um único banheiro. O chuveiro, com o fio desligado, provia banho frio.

Para dormir, quartos apertados. Em vez de camas, colchões espalhados pelo chão.

Confrontada com o inacreditável, a rede varejista expediu uma nota. Lê-se no texto: “A Pernambucanas não produz, ela compra produtos no mercado e os revende no varejo”.

De fato, a contratação dos bolivianos deu-se de forma indireta. Trabalhavam para a confecção Dorbyn, que atende a encomendas das Pernambucanas.

Ouvido, um dos diretores da da Dorbyn, Fábio Khouri, alegou desconher as condições da “oficina”. Curioso, já que gerente da firma visita a casa a cada 15 dias.

Durante a fiscalização, os auditores do trabalho acessaram e-mails de funcionários das Pernambucanas.

As mensagens revelam que a rede de roupas define cada detalhe das encomendas que terceiriza: modelo, tamanhos, quantidades, prazos e preços das peças.

Como conseqüência da inspeção, além da multa milionária imposta às Pernamucanas, os 16 bolivianos tiveram reconhecidos os seus direitos.

Receberam carteiras de trabalho e as verbas rescisórias –entre R$ 1.000 e R$ 5 mil, dependendo do tempo de cada um na senzala.

Os cálculos foram feitos por contadores a serviço das Pernambucanas. A Dorbyn incumbiu-se dos pagamentos.

O aperto às Pernambucanas é parte de uma estratégia inaugurada em agosto de 2010 por auditores do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo Urbano.

O nome do programa como que reconhece uma realidade que transporta o Brasil para uma Era pré-revolução industrial.

Estima-se que, só em São Paulo, há cerca de 8 mil neosenzalas como a que foi desmontada. Além de bolivianos, exploram sobretudo mão-de-obra paraguaia.

“Só as empresas que alimentam a cadeia podem mudar essa lógica”, diz Giuliana Cassiano, coordenadora do programa do Ministério do Trabalho.

Escrito por Josias de Souza

Lula agora é empresário.

Ex-presidente abriu empresa de palestras e eventos em sociedade com o amigo Okamotto.

Gazeta Online
foto: Agência Estado
Lula no apartamento no ABC paulista

Brasília

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva virou empresário. Aos 65 anos, o ex-metalúrgico abriu sua primeira empresa para oficializar sua mais recente profissão, a de palestrante. A LILS Palestras, Eventos e Publicações Ltda foi constituída na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) no dia 18 de março, em sociedade com seu amigo e assessor Paulo Okamotto. O ex-presidente deve montar ainda o Instituto Lula para poder receber verbas de empresas e assim desenvolver seus projetos.

O capital declarado na abertura da LILS, de R$ 100 mil, é menor que o preço médio de cada palestra, entre R$ 150 mil e R$ 200 mil. O endereço é o apartamento do ex-presidente, em São Bernardo do Campo. Uma dessas palestras foi feita no mês passado para uma indústria de eletrônicos, a LG, ao custo de R$ 150 mil. Esta semana, o ex-presidente embarca para os Estados Unidos para outra atividade remunerada, desta vez em um encontro organizado pela Microsoft.

Amigo de Lula há mais de 30 anos, Okamotto acompanha o ex-presidente desde os tempos em que ele presidia o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. No governo lulista, foi presidente do Sebrae nacional. Em 2006, quando o então presidente era acusado de não explicar a quitação de uma dívida de R$ 29 mil com o PT, Okamotto afirmou que havia dado o dinheiro para que Lula encerrasse o empréstimo feito junto ao PT e que ele não havia pago. Agora, no "pós-Lula", Okamotto retomou as rédeas do Instituto Cidadania e é o articulador da Oscip que vai abrigar os projetos de Lula, além de ser o sócio da nova empresa.

"Agora o presidente é empresário. Vocês reclamavam que ele não tinha estudado, e agora ele tem alguns títulos de doutor honoris causa", brincou Okamotto. (Agência Globo)

Programas energéticos para países africanos.

Um dos projetos do ex-presidente Lula deverá ser a discussão de programas energéticos para os países africanos. Desde janeiro, quando deixou o governo, Lula já foi à África três vezes: para o Fórum Social em Dacar, no Senegal; para a Guiné; e para o Qatar, onde participou de um seminário promovido pela rede árabe Al-Jazeera.


Filhos também têm negócio próprio.

Antes mesmo de o ex-presidente Lula iniciar sua "vida de empresário", seus três filhos abriram empresas em São Paulo. A mais recente é a LFT Marketing Esportivo, aberta em 3 de março por Luis Claudio Lula da Silva com mais dois sócios e capital de R$ 100 mil. Os sócios, com 10% cada, são Fabio Tsukamoto e Otavio Portugal Linhares Ramos, que no ano passado haviam aberto com Luis Claudio a ZLT 500, que foi vendida no mês passado a outros empresários.

Luis Claudio chegou a ser sócio do irmão Fabio Luis, por alguns meses, em duas outras empresas abertas em agosto do ano passado e já fechadas.

Mas é Fabio o filho mais bem-sucedido no mundo dos negócios. Com os filhos do ex-prefeito petista de Campinas Jacó Bittar, Fabio tem, desde 2004, as empresas Gamecorp, G4 e BR4. Foi com essas empresas que "Lulinha" se tornou sócio de empresas parceiras do governo, como a Telemar. Já Sandro Luis é sócio da FlexBR Tecnologia. (Agência Globo)

sábado, 2 de abril de 2011

APRENDA A CHAMAR A POLÍCIA!...

Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa.

Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.

Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranqüilamente.

Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram - me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.

Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:

-Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!

Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.

Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado.

Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.

No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:

-Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.

Eu respondi:

- Pensei que tivesse dito que não havia nenhuma viatura disponível.

(Luiz Fernando Veríssimo)























PF encontra elo do mensalão com campanha de Lula.

*Foi à mesa do procurador-geral Gurgel um novo relatório

*Preparou-o a PF, por ordem de Joaquim Barbosa, do STF

*Documento ratifica origem pública da verba do escândalo

*Texto traz os nomes de novos beneficiários dos repasses

*Entre eles, Fred Godoy, ex-segurança do candidato Lula

Reprodução revista Época:
A reprodução acima é o pedaço de um documento que pousou sobre a mesa do procurador-geral da República Roberto Gurgel. Tem 332 páginas. Redigiu-as a Polícia Federal, por ordem do ministro Joaquim Barbosa, do STF. O conteúdo vem à luz nas páginas da revista Época.

Antes de prosseguir, abra-se um parêntese. Recorde-se uma passagem de novembro de 2010. Ao sair de um café da manhã no Palácio da Alvorada, José Dirceu disse que, fora da Presidência, Lula se dedicaria a desmontar “a farsa do mensalão”.

Livre da azáfama presidencial há três meses, Lula ainda não se animou a levar aos refletores argumentos capazes de desconstituir o escândalo que sacudiu seu primeiro reinado. O novo relatório da PF talvez o faça rever os planos. Fecha parênteses.

Relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa recorreu à PF para elucidar dúvidas remanescentes do caso. Encomendou três respostas: 1) O mensalão foi financiado com dinheiro público?, 2) Houve mais beneficiários do valerioduto?, 3) Qual era o limite da influência de Marcos Valério no governo petista?

O texto da PF, que será remetido por Gurgel ao Supremo, responde positivamente às duas primeiras indagações de Joaquim. Quanto à terceira interrogação, atesta que o poderio de Valério no primeiro mandato de Lula não encontrava limites.

Desde 2005, ano em que o escândalo virou manchete numa entrevista de Roberto Jefferson à repórter Renata Lo Prete, o ex-provedor das arcas clandestinas do petismo mudou o visual. Valério forrou a calva com um esboço de implante capilar. No relatório da PF, porém, conserva a mesma imagem de vilão.

Além de corroborar a existência daquilo que Lula e Dirceu chamam de “farsa”, o trabalho ratifica a origem pública das verbas que compraram a lealdade de políticos do condomínio governista e traz os nomes de novos beneficiários. Entre eles Freud Godoy, amigo e ex-segurança de Lula.

Detectou-se a emissão de um cheque da R$ 98,5 mil da SMP&B, agência publicitária da qual Valério era sócio, em favor de Freud Godoy. Coisa de 21 de janeiro de 2003. Inquirido pela PF, o beneficiário disse que o dinheiro pagou serviços de segurança que prestara à campanha Lula-2002 (veja abaixo).

Desde o depoimento em que Duda Mendonça, ex-marqueteiro de Lula, admitiu à CPI do Senado ter recebido valerianas no exterior, é a primeira vez que se estabelece um elo indubitável entre as verbas sujas do mensalão e as arcas eleitorais de Lula.

No pedaço em que esquadrinha a origem dos recursos que untaram o escândalo, a PF anota em seu relatório que houve duas fontes. Uma “fonte primária”, com origem no Estado. Outra “fonte secundária”, que previa o ressarcimento de Valério por meio de contratos de lobby com empresários interessados em obter favores do governo.

O grosso das verbas do mensalão, diz a PF proveio do setor público. As empresas de Valério receberam do governo Lula cerca de R$ 350 milhões. Desse total, R$ 68 milhões foram providos pelo fundo Visanet. Dinheiro liberado pelo Banco do Brasil. Veio daí, repisa a PF, a maior parte do dinheiro que financiou o esquema (confira no texto abaixo).

No capítulo dedicado às “fontes secundárias” do mensalão, a PF dedicou-se a explicar a presença do banqueiro Daniel Dantas na encrenca. Um pedido expresso de Joaquim Barbosa. No alvorecer do primeiro reinado de Lula, Dantas travava uma renhida disputa societária. Pegava em lanças para manter o poder de gestão na telefônica Brasil Telecom.

Precisava do apoio dos fundos de pensão de estatais. Em depoimento à PF, Daniel Dantas disse ter sido convocado para um encontro com José 'É Tudo Uma Farsa' Dirceu, então chefão da Casa Civil de Lula. Segundo o banqueiro do Opportunity, a reunião ocorreu em 4 de maio de 2003, no Planalto.

Nessa conversa, sempre de acordo com o relato de Dantas à PF, Dirceu acenou com a hipótese de conciliação. Chegou mesmo a incumbir o então presidente do BB, Cássio Casseb, de manter entendimentos com o interlocutor.

Decorridos 11 dias da reunião com Dirceu, um sócio de Dantas, Carlos Rodemburg, encontrou-se com a dupla Valério-Delúbio Soares, no hotel Blue Tree. Deu-se na suíte em que estava hospedado o tesoureiro do PT. Inquirido, Rodemburg contou à PF que Delúbio lhe disse estar às voltas com um “déficit” de US$ 50 milhões. Pediu dinheiro.

Ficou subentendido que, se Daniel Dantas abrisse os bolsos, asseguraria o apoio do governo na pendenga societária que arrostava. Dantas disse à PF que se recusou a pagar. Porém, dois anos depois, informa o relatório, a Brasil Telecom, ainda subordinada a Dantas, firmou um par de contratos com a SMP&B e a DNA, agências de Valério. No toral, R$ 50 milhões.

Sobrevieram a entrevista de Jefferson e o escândalo. Valério havia recebido, então, apenas R$ 3,6 milhões relativos aos contratos que celebrara com Dantas. Ficou nisso. Em seu relatório, a PF não deixa dúvidas quanto à natureza dos acertos. Era “fachada” para a “distribuição de recursos" (confira abaixo).

No rol de novos personagens citados no documento da PF, foram à lista de beneficiários do mensalão mais sete deputados federais, dois ex-senadores e um ex-ministro. Desceram à relação também, agora de forma esmiuçada, Fernando Pimentel, amigo de Dilma Rousseff e atual ministro do Desenvolvimento; e Romero Jucá, líder de todos os governos no Senado.

A Pimentel atribui-se o recebimento de R$ 247 mil. Coisa de 12 de agosto de 2004, época em que o agora ministro disputava a prefeitura de Belo Horizonte. O cheque foi às mãos de Rodirgo Barroso, que assessorava Pimentel na campanha. Inquirido, recusou-se a dar explicações. A PF anota que há fortes indícios de que as arcas eleitorais de Pimentel foram irrigadas pelo valerioduto. Procurado, o ministro disse que não se pronunciaria sem conhecer o relatório.

Quanto a Jucá, a PF diz que ele recebeu, em 2003, R$ 650 mil em verbas provenientes do fundo Visanet. O dinheiro foi repassado à empresa Alfândega Participações. Pertence a Álvaro Jucá, irmão do senador. Interrogado, ele disse que a verba era remuneração por ações culturais. Algo que, segundo a PF, não conseguiu comprovar. Procurado, Jucá preferiu guardar silêncio.

O repórter recomenda vivavemente a leitura da notícia veiculada por Época, cujo link foi acomodado lá no alto e é repetido aqui. A revista dá outros nomes. Menciona negócios firmados por Valério sob FHC e, em Minas, sob Aécio Neves. Até a empresa de um ex-genro do senador Marco Maciel (DEM-PE) manteve, segundo a polícia, relações financeiras com Valério.

Os novos elementos oferecidos pelo relatório conspiram contra a lorota da “farsa” que Lula desmontaria. Vai contra a previsão de Delúbio de que tudo terminaria em "piada de salão". Resta saber o uso que o STF fará do material.

Escrito por Josias de Souza

sexta-feira, 1 de abril de 2011

STJ mantém prisão de Mizael, suspeito no caso Mércia.

Agencia Estado

São Paulo - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou hoje o pedido para revogar a prisão preventiva ao ex-policial e advogado Mizael Bispo de Souza, denunciado pelo homicídio da advogada Mércia Nakashima, sua ex-namorada.

A defesa alegava falta de fundamentação no decreto da prisão preventiva e pedia a sua revogação. Para o relator, em um exame preliminar, não há nenhuma coação ilegal que possa justificar a concessão da liminar. Ele determinou o encaminhamento do processo ao Ministério Público Federal (MPF) para a elaboração de parecer. O mérito do habeas corpus será julgado pela Sexta Turma do STJ.