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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Roberto Santiago no SBT: suspeita é de compra de voto.

Uma verdadeira bomba caiu sobre a campanha do deputado federal Roberto Santiago, candidato à reeleição à Câmara dos Deputados por São Paulo. Uma longa reportagem do SBT, exibida na terça-feira (31) e reapresentada na manhã desta quarta-feira (1), mostra um consultório dentário ambulante, instalado na periferia de São Paulo e patrocinado pelo deputado, segundo declarações gravadas nas imagens. (Veja o vídeo)


Santiago representa a região na Câmara e sua cidade base é a vizinha Piracaia.

A reportagem do Atibaia News manteve contato, por telefone, com a assessoria de Santiago para que o deputado apresentasse sua versão sobre o assunto. A assessoria informou que Roberto Santiago vai se pronunciar em momento oportuno. (AC)

Defesa de Mizael contesta laudo que incrimina advogado.

A defesa de Mizael Bispo, advogado acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima, afirmou hoje que o laudo da polícia é leviano e inconclusivo ao dizer que algas encontradas em um dos pares de sapato de Bispo provam que ele esteve na represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, onde o corpo da vítima foi localizado.

Segundo o perito Renato Pattoli, do Instituto de Criminalística (IC), a evidência confirma que o sapato foi usado por alguém que colocou o pé na água da represa. Para o advogado Sammir Haddad Junior, o laudo não especifica qual a alga pode ser encontrada apenas naquela represa. "Essa alga pode ser encontrada no Brasil inteiro, ele (o laudo) não pode afirmar que Mizael estava lá", disse.

O laudo mostra que o exame microscópico encontrou ainda resíduos de ossos e chumbo e manchas de sangue em um dos dois pares de sapato de Bispo. As testemunhas do caso serão ouvidas durante a audiência de instrução no dia 18 de outubro, em Guarulhos.

Mércia foi morta após deixar a casa da avó, em Guarulhos, no dia 23 de maio. Para a polícia, Mizael teria se encontrado com ela em frente ao hospital geral da cidade no início da noite. Em seguida, eles teriam seguido no carro dela para a represa, onde Mércia foi agredida no rosto e baleada. Depois, o veículo foi jogado dentro da água.

Estudantes acusam ex-presidente da UNE de usar dados do Prouni para propaganda política.

Diversos bolsistas do Prouni (Programa Universidade para Todos) receberam na última segunda-feira (31) um e-mail de propaganda eleitoral do candidato a deputado federal Gustavo Petta (PCdoB-SP). Por meio do Twitter e de blogs, eles acusam o candidato de uso dos dados do programa.

Segundo o MEC (Ministério da Educação), não houve disponibilização de quaisquer dados para o candidato. A assessoria de imprensa ressalta, ainda, que o MEC não tem informações financeiras dos bolsistas do programa, apenas nome e dados de endereço e e-mail.

O MEC admite que partilha listas regionais de e-mails com a UNE (União Nacional do Estudantes para a realização de eventos de mobilização dos bolsistas do Prouni. Petta foi presidente da UNE de 2003 a 2007. O MEC informou também que a UNE poderia usar essas listagens "exclusivamente" para a divulgação desses eventos. Se houve algum tipo de vazamento dessas listagens, a UNE pode responder judicialmente por isso.

O presidente da UNE, Augusto Chagas, disse que a instituição não forneceu seu cadastro para o candidato. "A UNE nunca disponibilizaria qualquer informação para nenhum tipo de campanha política", afirmou. Perguntado se a entidade teria cadastros que especificassem se o estudante participava do Prouni, Chagas disse que "não teria condições de afirmar com certeza". No entanto, ele confirmou que a entidade tem listas com os participantes dos eventos do programa.

"Votaria nele"
Os estudantes ouvidos pela reportagem dizem que não se cadastraram para receber informações sobre o candidato. "Achei um absurdo o nome do programa ser usado para propaganda política, não é certo. Se ele [Petta] não mandasse o e-mail talvez pensasse em votar nele, mas depois dessa história, não vou votar", diz Carlos Ferreira Jr., 21 anos, estudante de jornalismo na Universidade Metodista de São Paulo.

"Como eles sabem que eu sou do Prouni? Se esse candidato tem acesso ao meu e-mail, será que não tem acesso aos outros dados pessoais?", questiona Ibrahim César, 24, estudante de publicidade e propaganda das Faculdades Claretianas, em Rio Claro (SP).

Alguns bolsistas estranharam o fato de os e-mails terem chegado com seu nome completo, que só utilizariam em ocasiões como o cadastro em programas do governo. "Não apoio nenhum candidato e quando recebi até achei estranho --'Como ele sabe que eu sou do Prouni'?", diz Rebeca Sales, 21, estudante de turismo na Universidade São Judas Tadeu.

Outro lado
Rafael Minoru, coordenador do departamento de comunicação da campanha, diz que a lista de e-mails não utilizou dados do governo e tem contatos de "dez anos de vida pública" do candidato, incluindo bolsistas e não-bolsistas do Prouni. Segundo o coordenador, a relação é composta de contatos vindos de eventos realizados pela UNE (União Nacional de Estudantes) na época em que Petta foi presidente da entidade e de redes sociais, como o Orkut.

Por meio de nota, o candidato diz "lamentar" o ocorrido. "Peço desculpas por isso. (...) Todos que se irritaram, obviamente, podem ser excluídos do maling automaticamente. E os que pediram isso por email serão atendidos prontamente", diz o candidato por meio de nota.

Sai em Minas Gerais primeira sentença do mensalão.

Amigo de Valério é condenado por lavagem de dinheiro.

A Justiça Federal julgou procedente ação penal instaurada a partir de denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal em Belo Horizonte contra o advogado Rogério Lanza Tolentino pelo crime de lavagem de dinheiro. A denúncia resultou dos fatos apurados no inquérito do chamado mensalão.

A sentença foi proferida na última segunda-feira (30/8). Cabe recurso.

Segundo informa a assessoria de comunicação social do MPF em Minas, Rogério Tolentino foi condenado a sete anos e quatro meses de prisão e ao pagamento de 3.780 salários mínimos. O juiz ainda decretou o perdimento dos bens sequestrados em fevereiro de 2008, bem como a interdição do réu para o exercício de cargo ou função pública pelo prazo de 14 anos e oito meses.

O Blog não conseguiu localizar o advogado de Tolentino, Paulo Sérgio Abreu e Silva, tendo deixado recado em seu escritório, em Belo Horizonte.

De acordo com a denúncia, a lavagem de dinheiro foi feita para ocultar e dissimular a origem e a natureza dos valores movimentados pela organização criminosa responsável pelo mensalão. Esses recursos teriam sido obtidos a partir da prática de crimes contra a administração pública e o Sistema Financeiro Nacional.

Rogério Tolentino era o advogado da SMPB&Comunicação, empresa na época pertencente a Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado pelo Supremo Tribunal Federal de ser o principal operador do mensalão.

Segundo o relator Joaquim Barbosa, no recebimento da denúncia oferecida no Inquérito 2245/STF, Tolentino “atuava como verdadeiro braço direito de Marcos Valério, acompanhando-o em reuniões com outros acusados, indo à sede de empresas aparentemente envolvidas no suposto esquema de lavagem de dinheiro e inclusive fazendo repasses de dinheiro através de sua empresa, Lanza Tolentino & Associados”.

Na denúncia, o MPF relata que a conduta criminosa teria tido início em maio de 2002, quando foi depositada na conta corrente de Rogério Tolentino um cheque no valor de 128 mil reais emitido pela SMP&B Comunicação Ltda, e perdurou até agosto de 2005. Nesse período, vultosas quantias foram movimentadas através das contas do acusado, por meio de operações bancárias efetuadas pela própria SMP&B e pela instituição financeira Banco Rural.

Por sinal, naquele mesmo mês de agosto, Rogério Tolentino recebeu R$ 1.846.000,00 da SMP&B, empregando esses valores na compra de ações da Petrobras e da Companhia Vale do Rio Doce.

Para o MPF, lavagem de dinheiro. Para o acusado, recursos resultantes do exercício de sua atividade profissional.

Para o juiz da 4a. Vara Federal, Alexandre Buck Medrado Sampaio, “a versão do réu sobre a origem se choca e se desmonta com as perícias realizadas”, e cita trecho da denúncia do MPF no qual estão descritos os resultados de análise contábil mostrando que apenas uma parte reduzida dos investimentos adveio de honorários advocatícios. A maior parte dos recursos investidos originou-se de cheque depositado pela SMP&B, de depósitos em dinheiro sem identificação, de valores remetidos pelo próprio denunciado e de depósitos em cheques emitidos por Marcos Valério e por sua agência de publicidade.

Assim, segundo o juiz, “resta manifesto o elo entre o crime antecedente (dinheiro obtido por meio de atividades criminosas), que é o objeto da ação na Suprema Corte e o crime de lavagem destes valores, que é o objeto desta ação na Seção Judiciária de Minas Gerais”. Para ele, “a análise pericial contábil produzida pelo MPF é um indício contundente que, somada aos crimes antecedentes já analisados acima e às movimentações financeiras atípicas realizadas pelo acusado, permitem a formação de um juízo de certeza processual acerca da materialidade e da autoria destes delitos”, ressaltando ainda que as operações de branqueamento de capitais “também foram detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras-COAF”, e, “em conjunto com todas as provas técnicas trazidas aos autos – e não impugnadas pela defesa, vide item II desta sentença – permitiram o descortinamento dos fatos delituosos imputados ao acusado”.

Ao receber a denúncia do Mensalão, o STF determinou o desmembramento em vários outros inquéritos, remetendo-os às respectivas procuradorias da República nos estados para a abertura de investigações.

O juiz Alexandre Buck atua na 4a. Vara Federal de Minas Gerais, especializada em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e lavagem de dinheiro. Foi ele quem conduziu, em Belo Horizonte, as oitivas das testemunhas da Ação Penal que tramita no STF, cumprindo determinação do Ministro Joaquim Barbosa. O ministro elogiou publicamente o juiz de BH por ter ouvido, em 80 dias, 150 testemunhas, informa o MPF.

TSE barra candidatura de Roriz com base no Ficha Limpa; decisão irá para o STF.

Por 6 votos a 1, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral consideram na noite desta terça-feira (31) que o candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) é “ficha suja”, o que o incapacita a participar das eleições deste ano. O ex-governador do DF irá recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal.

A decisão dos magistrados seguiu o parecer do relator, ministro Arnaldo Versiani, que negou o recurso do candidato contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF). O tribunal rejeitou o registro de candidatura do candidato no último dia 4. O TRE-DF o considerou "ficha suja" por ter renunciado ao cargo de senador em 2007 para fugir da cassação por meio de um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado.

"Não se trata de retroatividade de norma eleitoral, a causa de inelegibilidade incide sobre a situação do candidato no momento da candidatura", resumiu em sua justificativa o relator do caso.

A única opinião divergente da Corte foi a do ministro Marco Aurélio Mello que voltou a defender que a Lei da Ficha Limpa não deveria ser aplicar nesta eleição e que também deveria valer apenas para irregularidades cometidas pelos candidatos depois da sanção da lei, em junho deste ano.

A defesa de Roriz vai recorrer. "Respeito a decisão, mas vamos recorrer ao STF [Supremo Tribunal Federal] que vai se manifestar o mais brevemente possível para garantir o respeito aos princípios constitucionais. Joaquim Roriz continua candidato e agora com o apelo popular porque vejam que querem retirar do povo a decisão de quem será o governo do Distrito Federal", afimou o advogado da coligação "Esperança Renovada”, Eládio Carneiro.

Dezenas de manifestantes a favor de Roriz acompanharam a votação do lado de fora, em frente à Corte. Com camisetas e bandeiras com o nome do candidato, eles permaneceram no local por mais de quatro horas, gritando palavras de ordem em apoio ao ex-governador.

Histórico e pesquisas
Em 2007, Roriz foi flagrado pela Polícia Federal em conversas telefônicas negociando a partilha de R$ 2,2 milhões, de um cheque do empresário Nenê Constantino, fundador da companhia aérea Gol. Sobre as gravações, Roriz afirma que pedira um empréstimo de cerca de R$ 300 mil a Nenê, descontado de um cheque de R$ 2,2 milhões para a compra de uma bezerra e para ajudar um primo.

Foi a primeira vez que o TSE barrou o registro de um candidato a governador com base no Ficha Limpa e é a primeira análise do tribunal sobre alguém que renunciou para evitar cassação. A Lei da Ficha Limpa estabelece que o político que toma tal atitude fica inelegível por oito anos após o fim do mandato que ele cumpriria.

Mesmo com as decisões, Roriz continua em campanha, mas as perdas sucessivas nos tribunais têm repercutido na avaliação dele frente à população. Segundo diferentes institutos de pesquisas, as intenções de voto para Roriz estão em declínio, enquanto seu principal adversário, o ex-ministro dos Esportes Agnelo Queiroz (PT), registra aumento. A pesquisa do Ibope, divulgada no último sábado (28), aponta que Roriz e Agnelo estão empatados com 36% das intenções de voto, após um avanço de 9 pontos percentuais do petista.

Defesa x TSE e PGRA defesa de Roriz alega, no recurso, que os princípios da anualidade e da irretroatividade não estão sendo considerados, ou seja, a argumentação é que a Lei da Ficha Limpa só poderia entrar em vigor em 2011, por ter sido aprovada neste ano, e também não poderia ser aplicada a casos ocorridos antes da lei.

Para o procurador-geral eleitoral, Roberto Gurgel, a defesa de Roriz quer confundir aplicação retroativa da lei com eficácia imediata. "A inelegibilidade, aqui, cinge-se a uma mera restrição temporária de o recorrente candidatar-se a cargo eletivo. A restrição não tem como propósito a exclusão do candidato, mas a proteção da coletividade, a preservação dos valores democráticos e republicanos", disse em seu parecer.